Este comentário não tem a intenção de desmerecer as defesas dos goleiros ou opiniões contrárias em relação ao tema “defesas milagrosas”.
Defesas milagrosas têm que possuir graus de dificuldades e características com exigências técnicas e específicas, além de parecerem milagrosas estas defesas realmente devem justificar a palavra milagre.
O milagre acontece quando o atacante executa sua parte com qualidade, e do outro lado encontra no goleiro reação e qualidade técnica a altura desta mesma ação (finalização).
Os GDS (Graus de Dificuldades) geralmente fazem parte de uma defesa dita como milagrosa.
Cito como milagrosa a defesa do goleiro Gordon Banks (Seleção Inglesa) quando o Rei Pelé num cruzamento de Jairzinho executou excelente cabeçada para um verdadeiro milagre protagonizado por Gordon Banks na copa de 1970.
O goleiro inglês, no cruzamento de Jairzinho, se posicionou na primeira trave para fechar o ângulo e interceptar um possível cruzamento. Este procedimento pode colocar o goleiro em clara situação de vulnerabilidade quando a bola é colocada por cima dele, na segunda trave, isto aconteceu com Gordon Banks.
Pelé estava na segunda trave e o goleiro teve de correr para frente do gol tentando fechar a angulação. Neste momento Pelé não apenas cabeceou, mas cabeceou forte e para baixo, fazendo com que a bola quicasse rumo ao canto superior direito de Gordon Banks.
Banks já estava praticamente batido no lance, pois ao correr adiantou-se um pouco em direção a Pelé, o que agravou sua situação quando a bola quicou e subiu forte rumo ao canto direito num quique alto, praticamente evidenciando a marcação do gol.
O goleiro não estava próximo à trajetória da bola e necessitou executar uma impulsão lançada (deslocamento + passada e impulsão) para chegar à condição de tentar a defesa.
Neste lance, um conjunto de fatores tornou esta defesa realmente milagrosa, são eles: o posicionamento do goleiro ante o cruzamento, o deslocamento necessário para fechar a angulação, o cabeceio magistral de Pelé com o quique da bola e a trajetória extensa da bola.
Finalizando a obra, a bola já havia passado longe do goleiro, o quique distante não permitia que Banks conduzisse a bola para a linha de fundo espalmando-a no sentido lateralizado. Então ele realizou a defesa com um grau de dificuldade altíssimo quando buscou a bola quase dentro de seu gol impulsionando-a para linha de fundo por cima do travessão em trajetória diagonal.
Tecnicamente Banks utilizou um leve toque, com a palma de sua mão direita, no sentido de colocar a bola por cima de sua trave, ele não realizou esta defesa saltando lateralmente, mas sim quase que para trás recuperando-se com elasticidade e técnica num lance que já era gol e acabou não consumado devido a esta defesa realmente milagrosa.
Defesa milagrosa é aquela que vemos e revemos durante anos e temos dois sentimentos na ocasião: primeiro ao rever o lance pensamos sempre que a bola “agora vai entrar”, mesmo sabendo que o goleiro a defendeu; segundo, a pergunta que não quer calar, “como é que ele pegou aquela bola?”. Não tinha como!
Tenho visto e ouvido como milagres arremessos colocados no raio de ação dos goleiros (1,5m do goleiro em qualquer altura ou direção), algumas realmente são excelentes defesas, porém muitas vezes superestimadas, o que se dá muito mais pela importância e tensão do jogo que propriamente pela dificuldade técnica exigida nestas defesas. Existem algumas defesas milagrosas mesmo no raio de ação dos goleiros, embora um atacante chegar próximo ao goleiro e chutar a bola no seu corpo ou pernas, algumas vezes não tem nada de milagroso, mas sim de incompetência do referido atacante.
Em um vocabulário sobre goleiros e suas defesas, alguns milagres são por mim diferenciados nas características técnicas, grau de dificuldade, distância, potencia, trajetória da bola e na capacidade do goleiro em adaptar-se física e tecnicamente ao inesperado.
A defesa milagrosa tem que possuir características de milagre, parecer milagre e realmente ser configurada tecnicamente como um verdadeiro milagre. Na intervenção milagrosa costumam surgir os GDS ou Graus de Dificuldades.
Defesa milagrosa é um fato e não apenas uma nominação que se adota a determinados lances de pura pressão seguidos de forte alívio devido a participação efetiva do goleiro.
Defesa milagrosa, qual a diferença?
Características técnicas destas defesas que incluem velocidade de ação e reação junto a técnicas específicas bem aplicadas. Nestas condições podemos observar o posicionamento do goleiro no lance, velocidade de reação e escolha do procedimento técnico adequado.
Goleiros que já experimentaram realizar algumas defesas milagrosas sabem do que estou falando. Falo daquela sensação que temos de que o gol já estava consumado, mas que no ultimo instante acrescentamos “um algo mais” e conseguimos sucesso quando tudo parecia perdido.
Muitas vezes o goleiro após este feito, vai para a casa perguntando-se: “Como é que peguei aquela bola?” Tudo parecia perdido e a defesa impossível!
Quando numa determinada defesa o goleiro ficar perguntando como é que conseguiu realizar esta defesa, é porque, ou o grau de dificuldade foi muito alto, ou o milagre técnico neste lance realmente aconteceu.







Nao eh por nada... mas ja fiz tantas defesar como essa do banks... pena que nao foi regisstrada.
ResponderExcluirAh, é brincadeira uma coisa dessa po!! A maior defesa da história das Copas e os cara fazem isso. PQP hein. É impressionante como não dão valor ao goleiro.
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